Um relatório da Polícia Federal divulgado nesta terça-feira trouxe novas informações sobre a investigação envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e ampliou a repercussão do caso nos bastidores de Brasília. O documento revela mensagens atribuídas ao ex-ministro das Comunicações Fábio Faria nas quais ele alerta Vorcaro sobre pagamentos ligados a Barci de Moraes Sociedade de Advocacia.
O material foi tornado público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo de parte da investigação conduzida pela Polícia Federal. Desde então, os documentos passaram a ser analisados por autoridades, parlamentares e especialistas do meio jurídico.
As mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram preocupações internas relacionadas ao cumprimento de pagamentos previstos em um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia representado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Mensagem de Fábio Faria chamou atenção dos investigadores
Segundo o relatório da Polícia Federal, em março de 2024 Fábio Faria teria enviado uma mensagem ao fundador do Banco Master alertando sobre os atrasos referentes aos repasses previstos contratualmente.
No diálogo reproduzido pelos investigadores, o ex-ministro encaminha uma captura de tela e reforça a necessidade de manter os pagamentos em dia, indicando preocupação com os atrasos registrados naquele período.
A informação passou a integrar os autos da investigação após a análise do conteúdo extraído do aparelho celular de Daniel Vorcaro.
PF identificou cobrança por pagamentos considerados prioritários
Os documentos analisados mostram que os pagamentos relacionados ao contrato eram tratados como prioritários dentro da instituição financeira.
Em mensagens reproduzidas pela Polícia Federal, Vorcaro teria orientado integrantes da equipe a garantirem o cumprimento das obrigações financeiras independentemente das dificuldades enfrentadas pelo banco naquele momento.
Segundo os registros, havia preocupação com possíveis consequências decorrentes do atraso dos depósitos previstos contratualmente.
Contrato previa pagamentos milionários
De acordo com o relatório, a origem das cobranças estaria ligada a um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia.
O acordo possuía valor total de aproximadamente R$ 131 milhões e previa pagamentos periódicos ao longo da execução dos serviços contratados.
As cláusulas estabeleciam prazo para os repasses mensais, mas parte dos depósitos teria sido realizada após as datas originalmente previstas.
Valores eram acompanhados de perto dentro do banco
Os investigadores apontam que o assunto aparecia com frequência nas conversas internas analisadas.
Em alguns trechos citados pela Polícia Federal, o empresário demonstraria preocupação específica com a regularização dos pagamentos.
Também existem registros de orientações para restringir o acesso interno ao contrato, medida que, segundo os documentos, teria como objetivo evitar vazamento de informações dentro da instituição.
Escritório afirma que contratação seguiu critérios legais
Após a divulgação do relatório, o escritório Barci de Moraes divulgou nota oficial explicando os procedimentos adotados antes da assinatura do contrato.
Segundo o comunicado, foram realizados processos internos de compliance para avaliar possíveis impedimentos legais envolvendo a contratação dos serviços advocatícios pelo Banco Master.
O escritório informou que consultou previamente informações relacionadas à existência de causas ou situações que pudessem gerar incompatibilidade jurídica para a prestação dos serviços.
Nota cita ausência de impedimentos legais
Ainda conforme a manifestação divulgada pelo escritório, não foram identificados obstáculos legais que impedissem a assinatura do contrato.
A nota afirma que Alexandre de Moraes não teria participado de julgamentos envolvendo o Banco Master durante o período analisado e que os serviços contratados foram efetivamente prestados.
Até o momento, a versão apresentada pelo escritório permanece registrada oficialmente no processo.
Relatório foi produzido a partir do celular de Vorcaro
O documento divulgado possui mais de 200 páginas e foi elaborado pela Polícia Federal após a análise do aparelho celular apreendido com Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.
A investigação reúne mensagens, arquivos, registros de chamadas e documentos localizados nos dispositivos eletrônicos examinados pelos investigadores.
Segundo a própria corporação, a análise não foi considerada definitiva e poderá ser complementada futuramente com novos cruzamentos de informações.
PF afirma que investigação continua
A Polícia Federal destaca nos autos que o trabalho realizado atendeu a um prazo específico determinado judicialmente, o que significa que novas evidências eventualmente poderão ser incorporadas ao processo.
Por isso, as conclusões atuais representam apenas parte do material investigado até o momento.
Caso ganha repercussão em Brasília
A divulgação do relatório aumentou a pressão sobre diferentes personagens mencionados nas investigações.
Com o sigilo retirado, parlamentares, integrantes do governo e representantes do Judiciário passaram a acompanhar com atenção os desdobramentos do caso.
O episódio se soma a uma série de novas revelações surgidas após a publicação dos documentos determinados por André Mendonça.
Enquanto isso, as investigações permanecem em andamento e novas manifestações das partes envolvidas ainda poderão ocorrer nos próximos dias.
Perguntas Frequentes
Quem é Daniel Vorcaro?
Daniel Vorcaro é fundador e ex-controlador do Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero.
O que diz o relatório da PF?
O documento apresenta mensagens, contratos, registros de chamadas e outros materiais extraídos do celular de Vorcaro.
Quem é Viviane Barci de Moraes?
Ela é advogada e sócia do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia.
A investigação foi concluída?
Não. A Polícia Federal afirma que as apurações continuam em andamento.

