A Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou favoravelmente à manutenção da proibição de visitas de Flávio a Jair Bolsonaro impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O parecer foi apresentado ao Supremo em meio à análise de recursos protocolados pela defesa, que busca reverter as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
A manifestação da PGR reforça o entendimento de que as limitações continuam válidas e devem permanecer em vigor durante o período estabelecido pela Corte.
Entenda a origem das restrições
As restrições tiveram início em julho deste ano. Na ocasião, Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por um período de 90 dias.
A decisão veio após o senador divulgar uma carta assinada por Jair Bolsonaro pedindo apoio eleitoral à sua candidatura. O episódio foi interpretado como descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante o cumprimento da prisão domiciliar.
Poucos dias depois, Moraes ampliou as restrições e proibiu qualquer visita com finalidade político-eleitoral ao ex-presidente até o encerramento das eleições de 2026.
Defesa tenta reverter decisão
Após a imposição das medidas, a defesa de Jair Bolsonaro apresentou recursos ao STF solicitando a flexibilização das restrições.
Os advogados argumentam que a retomada das visitas seria necessária para preservar os laços familiares entre pai e filho. Além disso, sustentam que existe uma relação profissional e política entre ambos que justificaria o contato presencial.
Outro ponto levantado nos recursos é a contestação à proibição de manifestações com teor político-eleitoral. Segundo a defesa, a suspensão de direitos políticos não resultaria automaticamente em limitações à liberdade de expressão.
Os pedidos agora dependem da análise do Supremo Tribunal Federal.
O que diz a PGR
No parecer encaminhado à Corte, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, recomendou que as decisões de Alexandre de Moraes sejam mantidas.
Segundo o entendimento da PGR, a prisão domiciliar concedida por razões humanitárias não elimina a necessidade de observância das regras impostas pelo regime determinado pela Justiça.
Para o órgão, o direito de receber visitas pode sofrer restrições quando houver descumprimento das condições estabelecidas judicialmente.
Com isso, a Procuradoria concluiu que não existem elementos suficientes para justificar uma mudança nas decisões atualmente em vigor.
Caso tem impacto no cenário eleitoral
O episódio ocorre em um momento de intensa movimentação política em razão da disputa presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro é apontado como pré-candidato à Presidência da República e tem intensificado sua atuação pública.
Por isso, qualquer decisão envolvendo o contato com Jair Bolsonaro ganha relevância política e jurídica, especialmente em um contexto eleitoral.
A discussão também chama atenção por envolver diretamente uma das figuras mais influentes da direita brasileira e por tramitar no Supremo Tribunal Federal, principal instância responsável pelo julgamento do caso.
Próximos passos
Com a manifestação da Procuradoria-Geral da República, caberá ao STF decidir se mantém ou não as restrições atualmente impostas.
O parecer da PGR não possui efeito vinculante, mas costuma ter peso relevante na análise dos processos em tramitação na Corte.
Enquanto não houver nova decisão judicial, permanecem válidas as determinações que limitam as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como as restrições relacionadas a atividades de caráter político-eleitoral.

