A economia voltou ao centro do debate eleitoral após a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, apresentar detalhes das propostas que estão sendo preparadas para um eventual governo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a economista abordou plano econômico com corte de gastos e temas como ajuste fiscal, reforma tributária, salário mínimo, redução de ministérios e administração dos ativos públicos.
As declarações ajudam a desenhar o rumo que a campanha pretende seguir na área econômica, priorizando o controle das contas públicas antes de discutir mudanças estruturais em programas e benefícios sociais.
Segundo Daniella, a estratégia passa por reduzir desperdícios, reorganizar o Estado e buscar novas fontes de recursos antes de considerar medidas que possam impactar diretamente a população.
Corte de gastos seria a primeira prioridade
A coordenadora econômica afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro iniciaria sua gestão focado na redução de gastos considerados desnecessários dentro da máquina pública.
De acordo com ela, o governo deveria primeiro combater privilégios, desperdícios e despesas consideradas excessivas antes de pensar em mudanças relacionadas ao salário mínimo ou à Previdência.
A avaliação da equipe é que demonstrar responsabilidade com os recursos públicos seria fundamental para conquistar apoio popular a reformas mais amplas no futuro.
Ajuste fiscal viria antes de reformas sociais
Segundo Daniella Marques, não faria sentido pedir sacrifícios à população sem que o próprio governo mostrasse disposição para revisar seus gastos.
Por isso, o ajuste das contas públicas seria tratado como etapa inicial de qualquer programa econômico.
A ideia é criar um ambiente mais equilibrado fiscalmente antes de avançar sobre temas sensíveis que afetam diretamente milhões de brasileiros.
Nova regra fiscal está sendo estudada
Outro ponto destacado pela coordenadora é a intenção de substituir o atual arcabouço fiscal.
A proposta em discussão busca criar um modelo que considere não apenas o controle das despesas, mas também a evolução da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo a equipe, essa mudança permitiria uma visão mais ampla da saúde financeira do país.
Governança fiscal envolveria os três Poderes
Daniella também mencionou a criação de uma instância permanente de governança fiscal.
O modelo envolveria Executivo, Legislativo e Judiciário em um esforço conjunto para controlar despesas e melhorar o equilíbrio das contas públicas.
A proposta prevê apoio técnico para orientar decisões que reduzam gastos e aumentem a eficiência da administração pública.
Redução de ministérios está nos planos
A campanha também estuda uma ampla reorganização da estrutura administrativa federal.
Segundo Daniella Marques, existe uma meta inicial de extinguir pelo menos dez ministérios.
Atualmente, a administração federal possui 38 pastas.
A medida faz parte de uma estratégia de redução do tamanho do Estado e simplificação da estrutura governamental.
Pacote econômico seria apresentado durante a transição
A coordenadora afirmou que Flávio Bolsonaro pretende apresentar um conjunto de propostas já durante a transição de governo, caso seja eleito.
O objetivo seria iniciar rapidamente a reorganização fiscal e administrativa para sinalizar compromisso com a responsabilidade financeira.
Governo quer monetizar ativos públicos
Outro tema que chamou atenção foi a utilização dos ativos da União como instrumento para melhorar as contas públicas.
Segundo a coordenadora, o governo federal possui um patrimônio estimado em mais de R$ 6 trilhões.
Esse conjunto inclui:
- Imóveis da União;
- Participações em empresas;
- Dívida ativa;
- Royalties;
- Outros ativos públicos.
A proposta é aproveitar melhor esses recursos por meio de gestão profissional.
Recursos ajudariam a reduzir a dívida pública
Parte dos valores arrecadados poderia ser direcionada ao abatimento da dívida pública.
Outra parcela seria destinada ao financiamento de obras de infraestrutura e investimentos considerados estratégicos.
A expectativa é transformar patrimônios pouco explorados em novas fontes de receita para o Estado.
Salário mínimo não seria prioridade inicial
Questionada sobre a política de valorização do salário mínimo, Daniella Marques indicou que o assunto pode nem precisar ser discutido em um eventual governo.
Segundo ela, caso o ajuste fiscal produza os resultados esperados, não haveria necessidade de rever a regra atual.
A declaração foi interpretada como uma tentativa de evitar compromissos definitivos sobre um tema que afeta milhões de trabalhadores e aposentados.
Regra atual garante ganho acima da inflação
Hoje, o salário mínimo é reajustado considerando a inflação e o crescimento econômico.
Esse mecanismo permite ganhos reais acima da simples reposição da alta dos preços.
Até o momento, a campanha não apresentou uma proposta específica para alterar ou manter o modelo atual.
Escala 6×1 deve ficar para depois da eleição
Outro assunto abordado foi a proposta que busca acabar com a escala de trabalho 6×1.
Segundo Daniella Marques, esse debate deveria ocorrer após o período eleitoral.
A coordenadora argumenta que diferentes setores da economia possuem realidades distintas e que não seria adequado impor um único modelo de jornada para todos.
Campanha critica discussão em meio à eleição
A avaliação da equipe é que o tema está sendo utilizado politicamente durante a campanha.
Por isso, a defesa é de que a discussão ocorra posteriormente, com participação de trabalhadores, empresários e especialistas.
Reforma tributária poderá passar por mudanças
Na área tributária, a campanha também sinalizou que pretende revisar pontos da reforma já aprovada.
Daniella Marques classificou a ideia como uma espécie de “reforma da reforma”.
Segundo ela, as diversas exceções incluídas durante a tramitação aumentaram a complexidade do sistema e elevaram a alíquota estimada do IVA.
Setor de serviços é uma preocupação
A coordenadora citou preocupação com possíveis impactos para empresas prestadoras de serviços.
Na avaliação da equipe econômica, esse segmento pode acabar enfrentando aumento da carga tributária no modelo atualmente aprovado.
Além disso, Daniella reforçou a defesa da autonomia do Banco Central, classificando o mecanismo como uma importante conquista institucional.
Propostas reforçam foco no ajuste das contas públicas
As declarações mostram que a campanha de Flávio Bolsonaro pretende construir seu discurso econômico em torno da responsabilidade fiscal, da redução de gastos e da reorganização da estrutura do Estado.
Temas como corte de ministérios, revisão tributária e gestão dos ativos públicos aparecem como pilares centrais da proposta apresentada pela equipe econômica.
O conteúdo também sinaliza que discussões mais sensíveis, como salário mínimo e jornada de trabalho, devem ficar em segundo plano enquanto o foco principal estiver voltado para o equilíbrio das contas públicas.
Conclusão
As declarações de Daniella Marques revelam uma estratégia econômica baseada na redução de gastos, reorganização administrativa e busca por maior eficiência do setor público. A equipe de Flávio Bolsonaro aposta que o ajuste fiscal deve vir antes de qualquer mudança mais profunda em programas sociais ou benefícios trabalhistas.

