PCO usa mascote em protesto na Paulista contra Moraes e STF

O Partido da Causa Operária (PCO) chamou atenção nas redes sociais neste início de setembro de 2026 ao divulgar imagens de seu mascote, chamado Lenito, em protesto na Paulista contra Moraes. Nas fotos, publicadas no domingo (6), uma pessoa fantasiada de formiga aparece segurando pelo pescoço uma impressão em tamanho real do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O episódio rapidamente viralizou e reacendeu o debate sobre a crise que atinge a mais alta corte do país.

Quem é Lenito e o que representa o boneco

Lenito é o mascote oficial do PCO, representado como uma formiga que carrega uma foice e um martelo, símbolos historicamente associados ao movimento comunista. Na publicação, o personagem aparece utilizando a foice para “prender” a imagem do ministro Alexandre de Moraes. A legenda da postagem foi propositalmente ambígua: o partido escreveu que qualquer interpretação sobre a cena seria de responsabilidade exclusiva de quem a visualizasse, assinando a frase como se fosse um comunicado do “departamento jurídico” da legenda.

Em uma segunda imagem divulgada pelo partido, o mascote aparece segurando um exemplar do jornal Causa Operária, veículo oficial de comunicação do PCO. A manchete estampada trazia os dizeres “Fim do STF. Por juízes eleitos pelo povo”, acompanhada de uma foto do próprio Alexandre de Moraes.

O partido por trás da manifestação

O PCO se define, em suas redes sociais, como uma legenda revolucionária e comunista, cuja atuação está centrada no fortalecimento da classe trabalhadora. À frente do partido está Rui Costa Pimenta, que concorrerá à Presidência da República pela quarta vez em 2026. Antes disso, ele já havia disputado o cargo em 2002, 2010 e 2014, sem sucesso nas urnas até o momento.

A escolha de realizar o protesto na avenida Paulista, um dos principais pontos de manifestações políticas do Brasil, reforça a estratégia do partido de dar visibilidade à sua pauta em um momento de forte instabilidade institucional envolvendo o Judiciário.

O caso Vorcaro e Moraes que motivou o protesto

As imagens divulgadas pelo PCO não surgiram por acaso. Elas fazem referência direta aos desdobramentos recentes do chamado caso Vorcaro, envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A polêmica ganhou força depois que o ministro André Mendonça, relator do processo conhecido como caso Master, decidiu retirar o sigilo telemático das comunicações entre as partes envolvidas.

Com a quebra do sigilo, vieram à tona 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao celular de Moraes. O conteúdo foi encontrado no bloco de notas do aparelho do ex-banqueiro. Chama atenção o fato de que apenas as mensagens enviadas por Vorcaro se tornaram públicas — as eventuais respostas do ministro não constam no material divulgado.

A resposta de Moraes e o embate interno no STF

Diante da repercussão do caso, Alexandre de Moraes reagiu de forma contundente. Ele solicitou a inclusão de André Mendonça no chamado inquérito das fake news, um processo que já tramita há sete anos no Supremo Tribunal Federal. A medida foi vista por muitos como uma tentativa de retaliação ao colega que havia revelado as mensagens.

No entanto, a decisão de Moraes não durou muito tempo. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou a retirada de Mendonça da investigação, definindo que essa inclusão nem sequer seria analisada pela Corte. O episódio expôs publicamente a divisão interna entre os ministros em meio a um dos momentos mais delicados da história recente do tribunal.

Discurso de Fachin e os prazos que se estendem

Em um gesto pouco comum, Fachin discursou em uma cerimônia realizada no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, prometendo uma resposta firme diante da crise que envolve o STF. Presidentes da Corte costumam evitar esse tipo de manifestação em eventos do Executivo, o que tornou o discurso ainda mais notável.

Apesar do tom enérgico das declarações, a prática mostrou um caminho oposto. Fachin decidiu adiar as análises dos processos relacionados ao caso até o dia 22 de setembro. Segundo o cronograma estabelecido, os envolvidos — entre eles o próprio Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues — têm prazo até o dia 11 de setembro para se manifestar. Qualquer decisão sobre o tema só poderá ocorrer a partir de 14 de setembro.

Já em relação à inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, os prazos são ainda mais longos. A Procuradoria-Geral da República tem cinco dias úteis para se manifestar após o dia 4 de setembro, e Mendonça terá outros cinco dias para se posicionar em seguida. Isso significa que uma decisão final só deve ocorrer depois do dia 22 de setembro.

Eleições podem influenciar o desfecho do caso

A expectativa é que o plenário do STF só avalie os dois processos em conjunto após o dia 22 de setembro, data que ficará a apenas 12 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Existe a possibilidade de que os ministros optem por adiar ainda mais o julgamento, alegando que a análise só deveria ocorrer após o primeiro turno, ou até mesmo depois do segundo turno, previsto para 25 de outubro.

Um retrato da tensão institucional

O protesto promovido pelo PCO, embora tenha um caráter simbólico e provocativo, reflete um momento de forte tensão dentro do Judiciário brasileiro. A disputa entre ministros, os prazos que se estendem estrategicamente e a proximidade do calendário eleitoral criam um cenário de incerteza sobre os próximos passos do STF.

Independentemente da interpretação que cada pessoa possa dar à performance do mascote Lenito na avenida Paulista, o episódio serve como

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