O governo federal informou que 70 mil pessoas estiveram presentes no desfile de 7 de Setembro realizado nesta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O número, divulgado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), representa um salto de 56% em comparação ao público informado pelo próprio Planalto no ano passado, quando 45 mil pessoas teriam acompanhado a cerimônia. No entanto, fotos contradizem Planalto, a ocupação da área destinada aos espectadores parece semelhante, o que levanta dúvidas sobre a precisão da estimativa divulgada pelo governo.
Governo não explica como chegou ao número
Até o momento, a Secom não divulgou qual metodologia foi utilizada para calcular o público presente no desfile deste ano. Sem esses critérios, fica impossível fazer uma verificação independente e confirmar se o número de 70 mil pessoas realmente corresponde à realidade observada no local.
Outro fator que dificulta essa checagem é a proibição do uso de drones por parte da imprensa durante o evento. Segundo o Palácio do Planalto, a medida é adotada rotineiramente por questões de segurança. Apesar disso, a própria Secom possui imagens aéreas do desfile, mas optou por não compartilhá-las publicamente, o que impede qualquer tipo de cálculo mais preciso sobre o tamanho da plateia.
Expectativa era bem menor antes do evento
Antes do início da cerimônia, o Governo do Distrito Federal estimava a presença de cerca de 30 mil pessoas na Esplanada. O número final anunciado pelo Planalto foi 133% superior a essa projeção inicial, o que reforça a discrepância entre as expectativas e o resultado divulgado oficialmente.
Comparação com anos anteriores
Nos últimos anos, os números apresentados para o desfile de 7 de Setembro em Brasília têm variado bastante, dependendo da fonte. Em 2023, uma estimativa feita a partir de fotos, vídeos e monitoramento no local apontou para cerca de 25 mil pessoas — 5 mil a menos do que o próprio governo esperava. Já em 2024, o público estimado por meio da mesma metodologia ficou em torno de 20 mil pessoas.
Em 2025, o Planalto informou que 45 mil pessoas haviam comparecido ao evento, mas, assim como neste ano, não revelou os critérios utilizados para chegar a esse valor. Também naquela ocasião, o registro de imagens aéreas por drones não foi autorizado.
Autoridades presentes na cerimônia
O desfile deste ano contou com a presença de diversas autoridades. Entre elas, estavam o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, além dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Também compareceram ao evento 29 ministros do governo federal, reforçando o caráter institucional da celebração.
Momentos marcantes do desfile
Assim como ocorreu em 2025, o presidente Lula voltou a interagir diretamente com os apoiadores presentes na Esplanada. Ao final do desfile, ele caminhou até a arquibancada para cumprimentar o público, repetindo um gesto que já havia se tornado tradição nas edições anteriores do evento.
Outro destaque foi o desfile em um Rolls-Royce presidencial conversível, com a presença da primeira-dama Janja ao lado do presidente. O momento, carregado de simbolismo, faz parte de uma estratégia do governo para associar a data à defesa da soberania nacional — tema que deve ganhar ainda mais destaque durante a campanha de reeleição de Lula em 2026.
Temas e estrutura do desfile cívico-militar
O tradicional desfile teve início às 9h e contou com diferentes eixos temáticos, entre eles a soberania nacional, o combate ao feminicídio e a Copa do Mundo Feminina de 2027. A área da saúde também esteve presente na programação, com a participação do personagem Zé Gotinha, símbolo das campanhas de vacinação contra a poliomielite.
A abertura ficou por conta de alunos de escolas públicas. Na sequência, houve desfiles de tropas a pé das Forças Armadas, da Polícia Militar do Distrito Federal e do Corpo de Bombeiros Militar. O evento também incluiu desfile motorizado com viaturas militares, apresentação do Batalhão de Polícia do Exército e desfile de tropas montadas a cavalo. O encerramento ficou a cargo da Esquadrilha da Fumaça e de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Custos do evento e contexto eleitoral
De acordo com informações divulgadas, o governo federal gastou R$ 5,74 milhões com a organização do desfile deste ano. O valor representa um aumento de 33,2% em relação a 2025 e de 33,5% comparado a 2024.
Apesar do investimento maior, a edição deste ano foi descrita como mais discreta em alguns aspectos, já que o presidente busca evitar possíveis questionamentos por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente por se tratar de um ano eleitoral.
Falta de transparência dificulta checagem dos números
O caso do 7 de Setembro deste ano evidencia um problema recorrente: a dificuldade de verificar, de forma independente, o público real presente em eventos oficiais promovidos pelo governo. A ausência de metodologia clara, somada à proibição do uso de drones pela imprensa, impede que veículos de comunicação e especialistas façam estimativas mais precisas sobre o comparecimento da população.
Esse tipo de situação não é exclusividade do atual governo, mas se repete há anos em diferentes gestões, o que reforça a importância de maior transparência na divulgação de dados públicos, especialmente quando se trata de eventos com forte apelo político e simbólico.
Conclusão
O desfile de 7 de Setembro deste ano trouxe, mais uma vez, um número oficial de público que gera dúvidas quando comparado às imagens registradas no local. A diferença entre a expectativa inicial, calculada pelo Governo do Distrito Federal, e o valor final anunciado pelo Planalto chama atenção, assim como a ausência de uma metodologia clara para justificar o crescimento expressivo em relação ao ano anterior.
Diante da falta de transparência na divulgação dos critérios utilizados e da proibição de imagens aéreas por par

