A avenida Paulista se transformou em um verdadeiro palco de tensão política nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026. Antes mesmo do grande ato convocado pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, grupos contrários ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já ocupavam ruas próximas ao local, promovendo atos contra Tarcísio que geraram confusão e exigiram a intervenção da Polícia Militar.
Protestos ocorrem em vias paralelas à Paulista
Na alameda Santos, via que corta um trecho próximo à avenida principal, cerca de cem manifestantes se reuniram gritando frases duras contra o governador paulista, associando-o a episódios de violência em comunidades. A Polícia Militar de São Paulo agiu rapidamente, bloqueando a passagem para impedir que esse grupo avançasse até a avenida Paulista, onde os apoiadores de Flávio Bolsonaro já começavam a se concentrar para o evento marcado para as 15h.
Outro ponto de tensão foi registrado na rua Carlos Comenale, também paralela à Paulista, mas situada do lado oposto da avenida, próxima ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). Ali, manifestantes ergueram cartazes pedindo a saída de Tarcísio do governo estadual. Além das críticas diretas ao governador, os cartazes também faziam referência a recursos financeiros repassados por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para a produção do filme intitulado “Dark Horse”.
O contexto por trás do ato de 7 de setembro
A manifestação principal, marcada para o fim da tarde na avenida Paulista, já vinha sendo organizada desde o início de agosto por Flávio Bolsonaro. O evento tem como bandeiras principais os slogans “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”, refletindo o discurso de oposição do senador ao atual governo federal e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O clima em torno do ato, no entanto, ganhou novos contornos nas últimas semanas após a divulgação de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo dessas conversas trouxe à tona questionamentos sobre a relação entre o empresário, hoje preso pela Polícia Federal, e o magistrado do STF.
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro intensificou o discurso contra Moraes nas últimas semanas. O senador chegou a classificar o ministro como uma “laranja podre”, alertando que a Suprema Corte não poderia ser “contaminada” por esse tipo de relação. Ele também usou a expressão “gabinete da perseguição” para se referir ao gabinete de Moraes dentro do STF, reforçando o tom crítico que vem marcando sua pré-campanha à Presidência.
Um histórico de grandes manifestações na Paulista
A avenida Paulista já é conhecida por sediar grandes atos políticos ligados ao grupo bolsonarista, especialmente em datas simbólicas como o 7 de setembro, feriado da Independência do Brasil. Em 2025, por exemplo, a manifestação reuniu cerca de 48.800 pessoas no local. Apenas quatro dias depois daquele ato, em 11 de setembro, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, por sua participação em uma tentativa de golpe de Estado.
Já em 2024, o público foi ainda maior: quase 60 mil pessoas compareceram à Paulista para acompanhar o discurso de Bolsonaro. O histórico de grandes atos remonta também a 2021, quando o então presidente da República convocou seus apoiadores para o mesmo local. Naquela ocasião, ficou marcado o momento em que Bolsonaro dirigiu xingamentos diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, chamando-o publicamente de “canalha”.
Tensão entre discurso político e protestos populares
O cenário desta segunda-feira reforça como a avenida Paulista continua sendo um espaço central de disputas políticas no Brasil. De um lado, grupos organizados se posicionam contra o governador Tarcísio de Freitas, criticando sua gestão e fazendo ligações com escândalos financeiros recentes, como o envolvimento de Daniel Vorcaro. De outro, apoiadores de Flávio Bolsonaro se preparam para um grande ato de oposição ao governo federal e ao Judiciário, especialmente contra a figura do ministro Alexandre de Moraes.
A presença da Polícia Militar para conter os protestos contrários ao governador evidencia a preocupação das autoridades em evitar confrontos diretos entre os diferentes grupos que circulam pela região nesta data. A escolha do 7 de setembro como palco para o ato de Flávio Bolsonaro não é aleatória, uma vez que o dia carrega forte simbolismo cívico e já foi utilizado em anos anteriores para grandes mobilizações políticas.
O que esperar dos próximos capítulos dessa disputa política
Com a proximidade das eleições presidenciais e o aumento das tensões em torno do julgamento de figuras como Jair Bolsonaro e da relação entre autoridades e empresários investigados, é provável que a avenida Paulista continue sendo um ponto estratégico para manifestações políticas nos próximos meses. Tanto o discurso de oposição ao governo Lula quanto as críticas ao governador Tarcísio de Freitas devem seguir ganhando força, à medida que novos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master e o STF vierem à tona.
O episódio desta segunda-feira mostra, mais uma vez, como o cenário político brasileiro segue marcado por polarização, protestos e embates simbólicos em datas de forte apelo popular. A repercussão desses atos deve continuar sendo acompanhada de perto, tanto pela imprensa quanto pela opinião pública, especialmente diante do peso que essas manifestações podem ter no cenário eleitoral que se aproxima.

