Um protesto organizado por apoiadores de partidos de direita movimentou Brasília nesta segunda-feira (7 de setembro de 2026). O ato, que reuniu simpatizantes do PL e do Partido Novo, aconteceu em frente ao Banco Central e teve como principal alvo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
A manifestação chamou atenção não apenas pelo conteúdo das críticas, mas também pela localização escolhida: o local fica a menos de dois quilômetros da Esplanada dos Ministérios, onde, ao mesmo tempo, o governo federal promovia o tradicional desfile cívico-militar em comemoração ao 7 de Setembro.
O que pedia o grupo de manifestantes
Durante o protesto, os participantes carregaram cartazes e vestiram camisetas com frases como “Fora Lula” e “Fora Moraes”. Um dos principais pontos defendidos pelo grupo foi o pedido de impeachment do ministro do STF. Além disso, os manifestantes também exigiram a saída de outras autoridades: o ministro Dias Toffoli, também do Supremo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Essas cobranças não surgiram por acaso. Elas estão relacionadas a um relatório da Polícia Federal que investigou o celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O documento trouxe menções envolvendo os nomes de Moraes, Gonet e Rodrigues, o que reacendeu o debate entre os grupos de oposição sobre a atuação dessas autoridades.
Presença de candidatos do Novo no ato
O protesto também serviu como palco para aparições políticas. Estiveram presentes dois candidatos do Partido Novo que disputam eleições no Distrito Federal em 2026: Kiko Caputo, que concorre ao governo do DF, e Sebastião Coelho, ex-desembargador que é candidato ao Senado pela sigla.
Os dois políticos aproveitaram o momento para interagir diretamente com os apoiadores presentes, tirando fotos e gravando vídeos ao lado do público que compareceu ao ato.
Declarações de Kiko Caputo sobre Alexandre de Moraes
Em entrevista ao Poder360, Kiko Caputo fez duras críticas à permanência de Alexandre de Moraes no STF. Segundo o candidato, diante da crise que, na visão dele, atinge a Corte, o ministro deveria pedir para deixar o cargo voluntariamente. Para Caputo, essa seria uma forma de evitar o que ele chamou de “trâmite traumático de um pedido de impeachment”.
Apesar da defesa de uma saída espontânea, o candidato do Novo também deixou claro que, caso isso não aconteça, cabe ao Senado abrir formalmente um processo para afastar o ministro. Em suas palavras, ele demonstrou forte insatisfação com os rumos da instituição, afirmando que é triste observar o que classificou como uma situação delicada dentro do Supremo Tribunal Federal.
Caputo foi enfático ao dizer que, se Moraes tivesse mais respeito pela instituição e pelo país, já teria tomado a iniciativa de deixar o cargo por conta própria, como forma de preservar a imagem do STF.
Simbolismo político no ato
Além das falas e cartazes, o evento também teve elementos simbólicos que reforçam o perfil ideológico dos participantes. Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estavam à venda no local, itens que costumam aparecer em manifestações ligadas a determinados setores da direita brasileira.
Outro destaque foi a comercialização de bonés estampados com o nome do senador Flávio Bolsonaro, do PL, que é pré-candidato à Presidência da República. A presença desses produtos reforça a conexão entre o protesto e a articulação política voltada para as eleições de 2026.
Contraste com o desfile oficial do governo
A proximidade geográfica entre o protesto e o desfile cívico-militar organizado pelo governo federal chamou atenção de quem acompanhou os dois eventos. Enquanto o Palácio do Planalto promovia as comemorações oficiais do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, a menos de dois quilômetros dali, grupos de oposição reuniam-se para protestar contra figuras centrais do governo e do Judiciário.
Esse contraste simbólico evidencia o momento de forte polarização política vivido no país, especialmente às vésperas do processo eleitoral de 2026, quando partidos e candidatos buscam se posicionar publicamente diante de temas sensíveis, como a relação entre os Poderes e a atuação do STF.
O que esperar dos próximos passos
Com as eleições de 2026 se aproximando, é provável que episódios como esse se tornem mais frequentes. Candidatos de oposição têm utilizado atos públicos como estratégia para reforçar discursos críticos ao governo e ao Judiciário, além de aumentar sua visibilidade junto ao eleitorado mais alinhado a pautas conservadoras.
A repercussão do relatório da Polícia Federal sobre o caso Vorcaro também pode continuar influenciando o debate político, especialmente se novas informações vierem à tona envolvendo autoridades citadas no documento.
Conclusão
O protesto realizado em Brasília reforça o clima de tensão política que já vinha se desenhando entre setores da direita, o governo federal e o Supremo Tribunal Federal. Com a presença de candidatos que disputam cargos importantes no Distrito Federal, o ato também demonstrou como a disputa eleitoral de 2026 já começa a se misturar com as críticas às instituições. À medida que a campanha avança, é provável que esse tipo de manifestação ganhe ainda mais força, refletindo a polarização que segue marcando o cenário político brasileiro.

